Mulher de frente sorrindo com aparelho à mostra

Dra Jussara Armond

A ortodontia moderna tem avançado a fim de promover melhores resultados estéticos e funcionais nos tratamentos ortodônticos. Existem novos tipos de aparelhos e protocolos a serem usados. Um dos aparelhos que mais tem ganhado adeptos, tanto de pacientes quanto de profissionais, são os autoligados.

Os aparelhos autoligáveis possuem os arcos ortodônticos ligados aos braquetes diretamente, sem a necessidade das ligaduras elásticas, as famosas “borrachinhas”.  Os braquetes são os “ferrinhos”. Na verdade, aquelas pecinhas bem características quando falamos de tratamento ortodôntico. Eles podem ser feitos de metal, plástico ou cerâmica. 

Nos aparelhos autoligáveis, as próprias peças conseguem segurar o fio e garantir os deslizamentos e movimentações planejados pelo ortodontista. Os braquetes também são menores e mais curvos, eles não atritam muito contra a mucosa, por isso não causam tanto incômodo na fase de adaptação do paciente, evitando pequenos cortes e dores nas gengivas e bochechas. A novidade traz vantagens superiores aos aparelhos fixos, de métodos convencionais, além da estética.

Muitas pessoas têm dúvida quanto ao preço dos autoligados, mas o valor depende do material desejado, que pode ser metálico, de cerâmica ou transparente. Em geral, o custo desses aparelhos é maior do que os convencionais por possuírem tecnologia mais avançada.  Além disso, o tempo de tratamento necessário com os autoligados é menor e gera resultados satisfatórios mais rápidos. Geralmente, as consultas de retorno podem ter um espaço maior, acontecendo de dois em dois meses, por exemplo.

Por causa da tecnologia empregada, o autoligado permite um atrito mínimo entre braquete-arco e a força utilizada nas movimentações também é menor. Há um menor acúmulo de bactérias na boca, pois o aparelho dispensa o uso de borrachinhas. As borrachinhas deterioram-se rápido, por isso os métodos convencionais exigem mais manutenções. Por causa do atrito mínimo, as forças aplicadas necessárias no autoligado são menores e por isso as dores também são minimizadas nos dentes, gengiva, ossos e ligamentos. Além de reduzir o atrito, a força é constante, pois os fios são termoativados, ou seja, o calor da boca os mantém ativados. Desta forma, as movimentações dentárias tendem a ser mais suaves e graduais.

Quais os cuidados necessários?

Quem usa o autoligado precisa estar atento quanto a higienização dos dentes e da boca. Apesar de haver menos bactérias e esse aparelho ser considerado mais higiênico, o uso do fio dental, escova interdental e escova comum é imprescindível para evitar problemas periodontais. A higiene correta também contribui para que o aparelho movimente os dentes como o planejado, do contrário, as placas bacterianas aumentam o atrito e dificultam a correção dentária. Os deslizamentos devem ser sutis, por isso, uma boca saudável garante o sucesso do tratamento ortodôntico.

Qualquer aparelho fixo pode provocar manchas nos dentes, porque acumulam com certa facilidade restos de comida que causam placas bacterianas. Por promover melhores movimentações, o sistema autoligado dispensa, em muitos casos, a extração dentária. Por promover expansões na arcada dentária, o aparelho cria espaços para os deslocamentos. Cabe ao profissional avaliar a necessidade de extrair ou não alguns dentes para garantir melhores resultados.

Para quem é recomendado?

Além de todos os benefícios já expostos, por possuir um desempenho de alinhamento e nivelamento melhor do que os convencionais, o autoligado é recomendado para pessoas que precisam  alinhar os dentes, que tenham mordida cruzada, dentes mal posicionados, dentre outros problemas mais difíceis de serem tratados. Os autoligados não possuem muitas restrições, sendo indicados para quase todos os tipos de correções. Segundo especialistas, na fase final do tratamento, fechamento de espaços e refinamentos, os dois sistemas, tanto os convencionais quanto os autoligáveis, se igualam.

Existem alguns tipos de aparelhos autoligados: os passivos, ativos e interativos. No sistema passivo, o fechamento do braquete não realiza tanta pressão no fio [arco ortodônticos] e assim desempenha com mais agilidade a movimentação dos dentes, mas não há tanta precisão na rotação e inclinação dental. Os ativos realizam um melhor controle de rotação e inclinação. Já os interativos possuem ambas características.

Depois de alguns meses usando aparelho, as pessoas querem exibir seu novo sorriso livremente. Entretanto, os dentistas sempre recomendam o uso das contenções para garantir estabilidade aos dentes e finalizar o tratamento. Caso a pessoa se recuse a fazer o uso das contenções, as mudanças de posicionamentos alcançadas com a correção ortodôntica podem sofrer alterações não previstas pelo especialista, pois os dentes têm mobilidade. Por isso, é importante seguir as orientações para alcançar um resultado de excelência. Algumas pessoas podem utilizar contenção temporária e móvel, podendo ser retirada para se alimentar e higienizar os dentes. Entretanto, dependendo da avaliação do dentista, pode haver a necessidade de se usar contenção fixa por tempo indeterminado, para garantir que os dentes não se movimentem.

Cada aparelho deve ser escolhido de acordo com as indicações do dentista que avaliará o estilo de vida do paciente, quais as mudanças que deverão ser feitas ao longo do tratamento e qual o melhor aparelho para a situação. Após todas as adequações, o primeiro passo é a realização da documentação, radiografias e moldagens para a projeção e início do tratamento ortodôntico.

Conheça outros tipos de aparelhos.