Cachorro passando por uma antibioticoterapia, tendo remédio aplicado diretamente na sia boca por uma veterinária enquanto seu dono, uma criança, o segura sorridente

Hospital Veterinário São Francisco de Assis

A antibioticoterapia começou a ser utilizados na medicina na década de 40. Junto a ela, uma série de grandes avanços no tratamento de todo tipo de infecções causadas por bactérias começaram a surgir, diminuindo muito a mortalidade em humanos e animais.

Até hoje, eles são um dos tipos de medicamento mais utilizados do mundo, correspondendo a 12% de todas as prescrições em humanos. Porém, muitas vezes, o que vemos são seus usos excessivos ou inadequados.

Existem muitas causas por trás do uso inadequado desses medicamentos. Muitas vezes, o clínico prescreve um antibiótico desnecessário:

  • para satisfazer a ansiedade do cliente;
  • por desconhecer a verdadeira causa da patologia;
  • para evitar a realização de exames como cultura e antibiograma, e assim economizar uma grana;
  • por excesso de consultas por dia;
  • por indisponibilidade para investigar o diagnóstico a fundo.

O antibiótico muitas vezes é visto como uma panacéia: a cura para todos os males, o que está longe de ser verdade.

Além disso, é frequente que o tutor não siga a recomendação do veterinário. Muitos dão o remédio por mais tempo que o prescrito, outros por menos, e/ou em doses ou frequências incorretas. Ainda tem aqueles que dão o remédio ao bichinho sem a avaliação de um veterinário e por aí vai.

Mas qual é o grande problema do uso indevido de antibióticos?

A resistência bacteriana é um fenômeno comum. Nele, as bactérias, após exposição a um tipo de antibiótico, desenvolvem mecanismos que as tornam mais resistentes e as multiplicam numa nova população de organismos que não responde mais àquele tratamento específico.

Esse evento é potencializado pelo uso incorreto da antibioticoterapia. Afinal, ao realizarmos o tratamento de forma incorreta, matamos apenas a população de células mais fracas do nosso corpo e deixamos que as bactérias mais fortes sobrevivam e voltem a colonizar o hospedeiro.

Cuidado com a antibioticoterapia!

O indivíduo, a partir do uso indevido de antibióticos, pode precisar tomar medicações cada vez mais fortes para infecções recorrentes, além de responder pior ao tratamento. Ainda existem as questões referentes ao problema epidemiológico de grande escala que o paciente pode provocar: cada vez mais ocorrem infecções por bactérias multirresistentes.

A resistência bacteriana é um problema mundial, humano e animal, já que as bactérias são comuns a várias espécies e podem ser carreadas e disseminadas por hospedeiros.

O desenvolvimento de novas classes mais potentes de antibióticos não consegue acompanhar esse ritmo.

A expectativa de alguns especialistas é a seguinte:

Se as medidas cabíveis não forem tomadas para uma determinada prevenção, a tendência é o agravamento dessa situação, ao ponto de as mortes por infecções crescerem sem que haja recursos suficientes para evitá-las.

Medidas de responsabilidade na antibioticoterapia que estão ao alcance de todos incluem:
  • evitar prescrição exagerada e excessiva de antibióticos;
  • utilizar antibióticos após realização de exames de cultura para evitar prescrição indevida;
  • usar antibiótico apenas quando prescrito, e não em casos de doenças virais;
  • boa higiene, como lavar as mãos com água e sabão, higiene no preparo de alimentos;
  • evitar uso de sabonetes antimicrobianos e de soluções antissépticas no dia a dia;
  • sempre seguir corretamente a prescrição do veterinário, quanto aos horários e duração, mesmo se os sintomas melhorarem antes.

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