Ancestralidade canina: do que o seu pet precisa para viver bem?

Dois cachorros brincando ao ar livre com intuito de devolver a ancestralidade canina

Cá para nós, existe um consenso bastante estabelecido em nossa sociedade sobre os cães. Afinal, poucas pessoas discutem o fato de que eles são, sim, os nossos melhores amigos! Inclusive, não é à toa que, a cada dia que passa, mais e mais pessoas estão cuidando deles como se fossem membros da família (e são mesmo!).

Porém, todo esse processo de domesticação nos faz esquecer de um aspecto essencial: a ancestralidade dos cães. Nós os deixamos pular e deitar em nossas camas, damos comida e afeto, levamos todos eles para passearem e lotamos a casa de brinquedinhos. Contudo, esquecemos-nos que eles são, em suma, ANIMAIS SELVAGENS por natureza.

Os cães, por mais “caseiros” e “urbanizados” que sejam, ainda carregam os comportamentos e características dos lobos. Ou seja: eles precisam de algumas coisas que, a priori, não são encontradas somente no conforto de um lar, por mais que este seja repleto de carinho.

Pensando nisso, preparei um texto com tudo o que você precisa saber sobre a ancestralidade do seu cachorro, e quais são as melhores formas de respeitá-la e, claro, incentivá-la. Dessa forma, pode apostar que ele será muito mais feliz e saudável!

Vamos lá?

Saúde ancestral

Entre 10 e 30 mil anos atrás, os cães se aproximaram do homem e começaram a se diferenciar dos lobos. Pode parecer muito tempo, mas numa escala evolutiva, é algo extremamente recente. Afinal, eles ainda dividem praticamente o mesmo DNA, traduzido em fisiologia e comportamento muito semelhantes (se não iguais).

A medicina funcional busca a aproximação do indivíduo ao seu estilo de vida natural, sob o qual seu material genético evoluiu. Por isso, também é chamada de medicina ancestral. Observar os hábitos comportamentais e alimentares do lobo e do dingo (cão selvagem australiano) pode ser o elo perdido na busca por cães mais saudáveis.

Não crie seu cão em uma “bolha”

Cães (ou qualquer outro animal) não nasceram para viver isolados em apartamentos com pisos de porcelanato! O excesso de cuidado com a assepsia ambiental esconde perigos, como substâncias potencialmente tóxicas presentes nos produtos de higiene mais comuns.

Além disso, o sistema imunológico precisa trabalhar. Entender o corpo como uma simbiose de microorganismos, muito além do hospedeiro, nos revela a riqueza biológica do contato com terra, vegetação, água e ar, possível somente em ambientes naturais.

O melhor “probiótico” não é apenas gratuito, mas essencial para a sobrevivência de qualquer espécie.

30 minutos de caminhada não bastam!

Lobos chegam a andar entre 15 e 60 quilômetros por dia, alcançando velocidades superiores a 50km/h ao perseguirem uma presa. E grandes esforços são seguidos por longos períodos de descanso também.

Considerar isso é extremamente importante para entender que não basta uma caminhada curta para termos um cão esparramado aos nossos pés pelo resto do dia. Especialmente se considerarmos raças selecionadas para trabalho, como pastoreio e caça.

Um animal não estimulado fisicamente é um indivíduo triste e um potencial problema dentro de casa.

Estimule seus sentidos!

Vivemos em um mundo extremamente visual. O convívio conosco faz com que o cão se torne extremamente dependente desse sentido também. Mas o olfato e a audição são seus sentidos mais desenvolvidos, essenciais para garantir a sobrevivência em ambiente natural.

Promover enriquecimento ambiental não condicionado à visão é primordial para o bem-estar do cão. Esconda a sua comida. Use brinquedos que emitam sons. Leve-o para passear num bosque, com cheiros e barulhos de animais. Respeite sua identidade como espécie.

Hierarquia

Ao questionarmos a desigualdade social que nos afeta na modernidade, é fácil nos esquecermos que a organização hierárquica é uma característica comum a qualquer grupo de animais. É ela que garante a sobrevivência do grupo, e o sucesso evolutivo de toda uma espécie.

Ao contrário do que imaginamos, não é o lobo alfa o mais feliz da alcatéia, ou aquele que vive mais. É justamente o indivíduo que sabe seu lugar, geralmente na base ou no meio da pirâmide hierárquica, e que não se envolve em situações de conflito.

Lobos são animais extremamente responsivos a demonstrações de afeto, mas demandam proporcional disciplina. E isso é muito diferente da intermitência entre falta de limites e práticas punitivas que os cães recebem da gente. Estabilidade e coerência familiar são a base para um convívio prazeroso com o animal.

Dieta bioapropriada

Todo animal encontra sua nutrição numa variedade de alimentos frescos, consumidos de forma instintiva e sazonal, em acordo com sua capacidade digestiva. Para cães, isso significa carnes, ossos, vísceras e outras partes de uma presa, sempre cruas.

Mais do que um melhor equilíbrio entre proteínas, gorduras e carboidratos, oferecer partes inteiras de animais permite ao cão manifestar seu comportamento mastigatório, importante para a sua saúde oral, e também como estímulo físico e mental.

Enfim…

Resumindo: não devemos, nunca, deixar a ancestralidade dos nossos peludos de lado. Afinal, ela está no DNA deles, refletindo e influenciando em todas as suas necessidades e comportamentos!

Para ter um pet mais feliz e realizado dentro de casa, dê a ele o que é da natureza dele, ou seja: longas caminhadas em lugares arborizados e repletos de natureza, uma alimentação bioapropriada e uma baita rotina de enriquecimento ambiental!

Com tudo isso em dia, pode apostar que o seu cão será muito mais feliz, calmo, companheiro e, mais importante: saudável.

Conheça minha videoaula e apostila sobre ALIMENTAÇÃO NATURAL BIOAPROPRIADA:

Banner do curso de alimentação bioapropriada do veterinário Dr. Artur Vasconcelos

Gostou do texto? Visite a editoria Saúde do Animal e saiba como manter a saúde do seu melhor amigo. Nossos veterinários e especialistas têm muito para contribuir. Acesse, também, nosso Facebook, Instagram e Twitter para ficar por dentro de tudo sobre o universo pet.

Medicina Veterinária

Médico veterinário, especialista em clínica de pequenos animais, oncologia e nutrição veterinária. Consultor e palestrante em alimentação bio-apropriada.

Deixar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *