Mãe amamentando seu bebe e provendo a alimentação no primeiro ano de vida

Dra Juliana Campos

Da gestação aos primeiros 6 meses

Todos nós temos uma determinada carga genética herdada dos nossos pais. Porém, estudos mais recentes demonstram que a resposta deste material genético é modificada por fatores ambientais.

Isso significa que, dependendo…

  • do ambiente em que vivemos;
  • de quais alimentos ingerimos;
  • de quais toxinas entramos em contato;
  • de como é a qualidade do nosso sono;
  • da frequência da realização de atividades físicas, ou do quanto uma pessoa é sedentária;
  • dos níveis de estresse;
  • do estado emocional da pessoa…

…. nós estaremos influenciando a resposta destes genes para o bem ou para o mal.

Alimentação saudável: um projeto de vida

Portanto, estar/ser saudável depende em grande parte de nós mesmos. E isso demonstra a importância que tem a alimentação no primeiro ano de vida dos nossos filhos. Afinal, é essa época em que eles formarão uma série de hábitos que os acompanharão pelo resto de suas vidas.

Bons hábitos alimentares devem começar ainda na gravidez

A alimentação saudável inicia-se na gestação. Estudos mostram que uma ingestão alimentar nutritiva e variada nesta fase previne não só problemas imediatos, como a desnutrição do feto, como também doenças futuras que a criança venha a desenvolver. É o caso da diabetes, da obesidade e da hipertensão, por exemplo.

Como deve ser a alimentação no primeiro ano de vida do bebê?

O projeto de alimentação saudável continua desde a primeira hora de vida. O bebê deve receber o colostro (o primeiro leite da mãe), por meio da amamentação, assim que for entregue à mãe.

O colostro é um leite com grande concentração de anticorpos maternos e funciona como uma vacina para o bebê, aumentando suas chances de sobrevivência e contribuindo para o desenvolvimento da melhor resposta genética possível para o pequeno.

E qual é o alimento mais saudável para o bebê nos dois primeiros anos de vida?

Idealmente, o aleitamento materno deve ser exclusivo nos primeiros 6 meses de vida do bebê, e continua sendo o principal alimento durante todo o primeiro ano de vida. Durante o segundo ano, mesmo com a introdução da alimentação complementar, o leite continua a ser uma importante fonte de vitaminas, proteínas e calorias.

Além de ser um alimento completo, com todos os nutrientes na quantidade e qualidade certa para as necessidades do bebê, o leite materno ainda evita o desenvolvimento de doenças crônicas no futuro, como diabetes, hipertensão, alergia, asma e obesidade.

Do que é feito o leite materno?

A composição do leite materno é diferente da do leite de vaca e de outros mamíferos. O leite da mãe tem uma menor quantidade de proteínas e maior quantidade de carboidratos em relação ao leite da vaca.

Cada leite é ideal para a sua própria espécie. O excesso de proteínas para o bebê humano pode ser prejudicial para os rins. O leite de vaca in natura, ou mesmo o de caixinha, é contra-indicado durante a alimentação no primeiro ano de vida do bebê. Lembrando que as fórmulas, apesar de serem modificadas para se assemelhar ao leite humano, jamais conseguirão se igualar ao leite materno.

As vantagens da amamentação

Não são apenas vantagens nutricionais que o leite humano tem sobre o leite de outras espécies ou as fórmulas.

Através do leite da mãe, são transmitidos anticorpos – células de defesa que o corpo da mãe produz – que funcionam como uma “vacina” para o bebê, protegendo-o enquanto seu próprio sistema de defesa está se formando.

Por que toda mãe deve amamentar seu pequeno?

O aleitamento também traz benefícios para a mãe. Ele ajuda a reduzir o tamanho do útero e a prevenir câncer de mama.

Boas práticas de aleitamento materno

A amamentação é muito importante para o fortalecimento do laço entre mãe e filho. Portanto, aproveite ao máximo estes momentos de carinho.

Escolha um lugar confortável, silencioso, apoie suas costas, seu braço e seus pés, coloque o bebê em uma posição confortável, com a barriga voltada para sua barriga e a cabeça levemente mais elevada que o restante do corpo.

Preste atenção na maneira como o bebê suga o seio. Isso nunca deve ser doloroso. O bebê deve abocanhar todo o mamilo, e a dor pode indicar que a pega está incorreta. Se isso acontecer, procure ajuda profissional.

Evitando o desmame precoce

A fissura mamária é um dos principais problemas que levam ao desmame precoce. Se seu seio já estiver fissurado, conte conosco para passar por esta fase difícil e saiba que é possível manter o aleitamento.

Após a mamada, deixe que a criança arrote antes de colocá-la novamente no berço. Chupetas e mamadeiras não são indicadas e podem atrapalhar a amamentação.

Não é necessário oferecer água e chás para a criança, o leite materno também mata a sede do bebê. Em dias quentes ele irá demandar menor intervalo entre as mamadas.

Em caso de dúvidas, nunca opte pelo desmame antes de consultar seu pediatra. Na maioria das vezes, os problemas são contornáveis e, com ajuda, é possível manter a amamentação até quando for possível para cada duo mamãe/bebê.

E qual é a idade certa para o desmame?

Não existe idade certa para desmamar o bebê, e o ideal é que isso aconteça da maneira mais natural possível. Ou seja: quando a própria criança perder o interesse pelo seio.

Isso pode acontecer da forma mais variada possível, desde o processo de alimentação no primeiro ano de vida, até bem mais tarde, por volta dos 5 a 7 anos.

Não há problema algum no aleitamento prolongado. Pelo contrário, é muito desejável. Novos estudos mostram que bebês que passam pelo desmame natural tornam-se adultos mais felizes, com relações sociais mais saudáveis, alimentação mais saudável, mais seguros de si, com menor índice de depressão e excelente desempenho escolar.

Portanto, não deixe que a sociedade te intimide ao desmame precoce se esta não for sua vontade.

E quando amamentar não é uma opção para a mãe?

Em alguns casos selecionados, por motivos médicos, o aleitamento materno não é possível. Nestes casos, o preferível é o uso de fórmulas adequadas para a idade do bebê – 1º semestre ou partida nos 6 primeiros meses de vida, e de 2º semestre ou seguimento após o 6º mês.

As fórmulas são feitas a partir do leite de vaca, mas são modificadas laboratorialmente para que sua composição se assemelhe ao máximo da composição do leite humano.

Existem vários tipos de fórmula no mercado com pequena diferenças entre si. O gosto das fórmulas também diferem entre si. Então, quando for comprar uma determinada marca pela primeira vez, compre apenas uma lata e observe a aceitação da criança.

As fórmulas vêm com um medidor dentro da própria lata. O leite deve ser preparado com este medidor. Na maioria delas, a quantidade para o preparo é de 1 medida para cada 30 mL de água. Leia as instruções de preparo com cuidado, e as siga corretamente.

Um leite preparado com maior quantidade de água do que o orientado pode ficar “ralo” e ser insuficiente para as necessidades do bebê. Da mesma forma, um leite preparado com menor quantidade de água vai ficar “grosso” e inadequado para o pequeno.

Se você se encontra dentro destes casos em que o aleitamento não foi possível, embora desejado, não se sinta culpada ou menos mãe que as outras mulheres. Tenho certeza de que você fez tudo que estava ao seu alcance para conseguir, e é este esforço que conta!

Aproveite todas as outras maneiras de conexão para se manter conectada ao seu bebê e conte sempre com sua pediatra!

Introdução da alimentação complementar

O intestino humano está pronto para receber outros tipos de alimento que não o leite por volta do sexto mês de vida. Quando introduzimos os alimentos antes desta idade, corremos o risco de gerar alergias alimentares que poderiam ser evitadas se aguardássemos um pouco mais.

Com o início da alimentação complementar, o aleitamento materno não é interrompido. Como o próprio nome diz, trata-se de uma alimentação COMPLEMENTAR, isso significa que o leite continua a ser uma importante fonte de nutrientes para o bebê.

Porém, a partir desta fase, é muito importante estimular o repertório alimentar para que o bebê tenha uma alimentação saudável pelo resto de sua vida!

A primeira rejeição do bebê a alguns alimentos é normal

É importante segurar nossas expectativas nesta fase pois, na maioria das vezes, o bebê irá apenas experimentar a comida, e muito pouco ou nada irá parar em sua barriga!

Não se desespere, não se precipite em dizer que ele não gosta da comida, ou não quer comê-la. Isto é natural e devemos respeitar esta fase de experimentação. Quanto mais texturas e sabores diferentes ele entrar em contato, maior será seu repertório alimentar e sua aceitação em outras fases.

Lembre-se de que os bebês aprendem por imitação, então, se a sua alimentação e a da sua família não são nutritivas, esta é uma boa hora para mudanças de hábito. Não adianta querer que seu pequeno coma bem se você não der o exemplo.

Tenha em casa apenas alimentos saudáveis. Assim, você não cai em tentação. Em casa que tem comida de verdade, uma criança não passa fome e nem fica desnutrida.

Dicas para alimentar bem o seu pequeno:

Seja criativo, evite a monotonia alimentar, ofereça legumes e frutas diferentes todos os dias. Se ele não aceitar determinado alimento, volte a oferecê-lo mais tarde, preparado de outra maneira.

Não force, não castigue e tampouco presenteie a criança porque ela teve determinado comportamento com os alimentos. Comer é natural, e é assim que deve ser tratado.

Respeite as necessidades do organismo do seu filho. Procure manter uma rotina de horários, mas nada com muita rigidez. Se seu filho não quis comer o almoço, por exemplo, capriche na janta. É normal que em alguns dias ele coma menos ou não tão bem. Até nós adultos temos esses dias.

E quando ele estiver doente, preocupe-se mais com a hidratação do que com a alimentação sólida. Quando estiver saudável novamente, ele voltará a comer.

A hora da comida deve ser um momento feliz, calmo, de boa conversa e de conexão. Dividir a refeição é uma ótima oportunidade para desenvolver a união da família. Então aproveite-os bem, desligue a televisão, os tablets e celulares. Converse, sorria e olhe nos olhos de quem está com você!

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