Vista de cima de cachorro sob um tapete azul e branco vendo a mão de seu dono levando comida natural até ele

Dr Artur Vasconcelos

Uma das dificuldades mais frequentes de quem optou pela alimentação natural é: que quantidade de comida devo dar para o meu cachorro por dia?

Oferecer pouca comida pode comprometer a quantidade de nutrientes na dieta. Por outro lado, comida demais pode resultar em obesidade e alterações digestivas, e isso é tudo que nós não queremos!

Vários fatores interferem no cálculo da quantidade de comida:

  • Idade: cão filhote, adulto e idoso.
  • Raça: tendência ou não a ganhar peso.
  • Porte: pequeno, médio, grande e gigante.
  • Nível de atividade física: ativo ou inativo.
  • Estado de saúde do animal.

Condição corporal do cão

A condição corporal, e não necessariamente o peso do cachorro, é o principal determinante do quanto alimentá-lo.

A avaliação é feita pelo veterinário, utilizando uma tabela de escore corporal, que classifica o cão em uma escala de 1 a 9. De 1 a 3, ele está abaixo do peso, 4 e 5 são as pontuações ideais e, acima de 6, o cão tem sobrepeso ou está obeso.

Para avaliar o escore corporal é preciso observar:

  • Costelas, vértebras e pelve: se as proeminências ósseas estão visíveis, o cão está magro. Elas devem ser facilmente palpáveis, não cobertas por uma camada espessa de gordura.
  • Visão lateral: visto de perfil, o animal deve ter um abdômen contraído. Se este apresentar um formato abaulado, o pet provavelmente está obeso.
  • Visão de cima: a cintura deve ser facilmente observada logo após o tórax.
  • Depósitos de gordura: um animal obeso apresenta depósitos de gordura na base da cauda, cintura, barriga, pescoço e membros.

No entanto, essa é uma avaliação subjetiva e varia de acordo com a raça e a individualidade de cada cão. Por exemplo, um labrador tem uma constituição muito diferente de um galgo e deve ter seu escore avaliado de acordo com seu tipo físico.

Se o cão estiver acima do peso, a quantidade de comida deve ser diminuída. Se aparentemente estiver magro, aumente a quantidade. Essa é a dica mais importante e insubstituível, porque leva em consideração a individualidade do animal e da dieta que ele está recebendo.

Cálculo da quantidade de alimentação natural do cachorro

Existem formas práticas para calcular a quantidade de alimento a ser oferecida para os cães. A tabela a seguir utiliza uma porcentagem do peso ideal do animal:

Cão grande (> 25kg) Cão de médio porte (12-25Kg) Cão pequeno (<12kg)
Inativo, castrado, raças com tendência ao sobrepeso 1,5-2% 2-2,5% 2,5-3,0%
Ativo, não-castrado, raças com dificuldade para ganhar peso 2—3% 2,5-3,5% 3-5%

Algumas raças tendem a ter um metabolismo mais eficiente e ganham peso com facilidade. Assim, precisam de menos alimento. Algumas delas são:

Outras precisam de mais alimentos. São elas:

Os ajustes devem ser feitos individualmente, de acordo com o escore corporal do animal. Para pets que precisam perder peso, deve-se começar com a quantidade mínima indicada na tabela, considerando seu peso ideal.

Animais que precisam ganhar peso, ou tendem a perdê-lo, mesmo que inativos, podem ser iniciados na quantidade máxima de alimentos indicada para animais ativos.

O bom senso é melhor que qualquer regra matemática!

Alimentação natural do cão filhote

Filhotes precisam de maior quantidade de alimentos para crescerem e se desenvolverem normalmente. Deve-se iniciá-la com 10% do peso corporal do filhote, e mantê-la nessa quantidade até os seis meses de idade.

Aos seis meses, é possível reduzir para 5% do peso do animal. A partir daí, a quantidade deve ser reduzida progressivamente até um ano.

Aos 12 meses, pode-se calcular a quantidade de alimentos usando o peso estimado que aquele filhote irá atingir quando adulto. Esse valor é estimado levando em conta o peso dos pais, variações raciais e de linhagem.

Quantas refeições por dia oferecer ao cão?

A maioria dos cães adultos saudáveis pode ser alimentada uma única vez ao dia. Isso permite uma boa digestão e melhor apreciação do alimento pelo animal.

O jejum de 24 horas também possui vantagens metabólicas e está relacionado a uma maior longevidade e menor ocorrência de doenças degenerativas.

Isso vai de encontro com o que é encontrado na natureza. Lobos sequer comem todos os dias, porque a tentativa de caça nem sempre é eficiente. Seu metabolismo energético, a partir das reservas de gordura, permite que seu organismo continue funcionando perfeitamente bem em situações de jejum prolongado.

No entanto, dentro do contexto moderno, os cães estão mais próximos dos seus donos, muitas vezes participando da rotina alimentar da família. Com isso, a prática de oferecer duas refeições diárias é mais aceita pela maioria das pessoas, e ajuda com a correção do mau comportamento do cão de pedir alimento à beira da mesa.

Quantas vezes por dia os filhotes devem comer?

Até 3 meses de vida, é recomendado oferecer pelo menos quatro refeições diárias aos filhotes. Entre 3 e 6 meses, três refeições são suficientes. Após os 6 meses, eles podem comer duas vezes ao dia.

IMPORTANTE: a alimentação dos filhotes deve ser excelente! É essencial que eles recebam alimentos apropriados para a sua espécie, na quantidade correta e com as proporções de nutrientes ideais. Isso irá garantir que eles tenham um crescimento harmonioso e se desenvolvam no melhor de seu potencial.

Contar com a orientação de um veterinário especializado em nutrição, especialmente nos filhotes, é muito importante!

O Convite à Saúde conta com vários especialistas em alimentação natural, em várias cidades do Brasil. Confira quem está perto de você!

DRA. ANA CAROLINA DE MELLO PINTA MAGALHÃES – SÃO PAULO
DR. ARTUR VIEIRA VASCONCELOS – MINAS GERAIS
DRA. BEATRIZ TERENZI SEIXAS – MINAS GERAIS
DRA. CAMILA LUQUES – SÃO PAULO
DRA. ETELVINA DO SOCORRO BRASIL PORTO – SÃO PAULO
DRA. JULIANA FRANZO – SÃO PAULO
DRA. KATHLEEN SCHWAB PIRES DE OLIVEIRA SALLES – SÃO PAULO
DR. KLEBER PEREIRA FELIZOLA – DISTRITO FEDERAL
DRA. LEILA BARWINKEL – RIO GRANDE DO SUL
DRA. VERONICA FOLTYNEK – DISTRITO FEDERAL

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