Cachorro branco e gato preto e branco comendo em um tijela dentro de casa

Dr. Artur Vasconcelos

Quando pensamos em alimentação natural para cães e gatos, as primeiras perguntas que vêm à cabeça são: “Cachorro pode comer arroz e feijão?”, “O que é melhor para os pets: ração ou comida?”, “O que o cachorro pode comer além da ração?”, “O que o gato não pode comer?”.

Afinal: como funciona a alimentação natural para pets?

Ao contrário do que muitos pensam, dar uma alimentação natural (AN) para os pets não é dar a mesma comida que os donos comem, e muito menos dar apenas vegetais e frutas.

Os cães e gatos são animais carnívoros e necessitam de proteína de origem animal, gordura de boa qualidade, pequenas quantidades de vegetais e frutas, fontes naturais de minerais, vitaminas e ácidos graxos para se manterem saudáveis.

Além disso, os alimentos devem ser frescos, úmidos e não processados. A dieta, por sua vez, deve ser cuidadosamente calculada e balanceada por um veterinário especializado em nutrição para evitar que substâncias essenciais fiquem faltando e o animal adoeça.

Rações comerciais: elas realmente são boas para os pets?

As rações comerciais contêm uma quantidade excessiva de carboidratos que não é necessária, nem faz bem aos cães e gatos. Elas, em sua maioria, são feitas com grãos não apropriados para o consumo humano e mal-inspecionados, partes dos animais e peixes que sobram na indústria de alimentos, gordura descartada por restaurantes, animais doentes, eutanasiados e mortos nas estradas.

Todo este material é submetido a um processamento chamado graxaria, que transforma a proteína animal em material para a indústria da ração.

Este material é misturado a uma grande quantidade de amido (milho, trigo, arroz e batata), suplementos e minerais sintéticos. Depois, uma extrusão em altas temperaturas é feita para criar a ração que conhecemos.

A ração é conveniente e prática, mas será que promove saúde?

Imagine comer a mesma comida todos os dias, a vida inteira! Ainda por cima um alimento desidratado, processado extensivamente, com alto teor de carboidratos, pouca proteína (e a maior parte dela de origem vegetal) e contendo vários aditivos e conservantes?

Há alguns anos, tutores em todo o mundo começaram a questionar se esta é a melhor opção para os nossos pets. A maioria dos pets atualmente está acima do peso ou obeso e a incidência de alergia, problemas cardiovasculares, diabetes e câncer é enorme.

Alimentação natural para cães e gatos

O movimento de alimentação natural para cães e gatos, ou biologicamente apropriada, surgiu a partir desta busca por saúde, qualidade de vida e longevidade.

Os animais que utilizam a AN têm mais resistência a doenças infecciosas, especialmente virais, têm menos alergias, apresentam pelagem brilhante e macia, não têm mau cheiro, são bem hidratados e têm mais vitalidade. Além disso, esta dieta possibilita a escolha de ingredientes frescos e de boa procedência.

E quais alimentos devem fazer parte desta dieta?

Fazem parte da alimentação natural para pets, nas proporções corretas:

  • proteínas;
  • gordura;
  • carboidratos (fibras);
  • vitaminas;
  • sais minerais;
  • fitoquímicos;
  • prebióticos e probióticos.

Proteína

A proteína de origem animal é melhor aproveitada pelo organismo do que a de origem vegetal. Podem ser incluídos na dieta ovos, peixes, carne de boi, peru, cabrito, frango, porco, rã, codorna e coelho. Variar o tipo de proteína melhora o equilíbrio de nutrientes na dieta.

São utilizadas também as vísceras como moela, coração, dobradinha, língua, fígado, rins e baço, que oferecem muitos nutrientes essenciais.

Toda carne bovina deve ser congelada por pelo menos 48 horas antes de consumida e a carne suína por no mínimo 21 dias, para evitar a transmissão de parasitas.

Os peixes podem ser oferecidos frescos ou conservados no azeite. Truta e salmão devem ser congelados por 7 dias antes de consumidos.

Gordura

A gordura é um componente importante da dieta, pois fornece energia, auxilia no transporte de algumas vitaminas e participa da síntese de hormônios. Devem ser incluídas gorduras saudáveis: azeite, linhaça, óleo de coco, manteiga ou banha de porco.

Carboidratos

Os animais não precisam de carboidratos. Na dieta natural, estes são incluídos em pequenas quantidades na forma de vegetais e frutas. Eles contêm fibras importantes para a saúde do intestino (prebióticos), vitaminas, minerais e fitoquímicos, com papel antioxidante.

Os vegetais mais recomendados são: abóbora (qualquer variedade), cenoura, brócolis, chuchu, brócolis, couve-flor, ervilha torta, vagem, couve, e abobrinha. Eles podem ser oferecidos crus, assados, cozidos em água ou no vapor. Atenção: deve-se evitar alho, cebola, alho-poró, cebolinha, batata, tomate, berinjela, pimentão, jiló, pepino, nabo, cará, inhame, batata-doce, mandioca.

As frutas podem ser oferecidas ocasionalmente, como petiscos: maçã, mamão, melão, abacate ou frutas vermelhas.

Vitaminas e sais minerais

Os animais, como os seres humanos, têm uma necessidade de ingerir vitaminas e minerais na dieta. Estes são essenciais para múltiplos processos metabólicos e sua deficiência pode provocar sérios problemas de saúde. Na alimentação natural, devem ser utilizados obrigatoriamente alguns suplementos essenciais indicados pelo veterinário responsável.

Probióticos

Podem ser oferecidas pequenas quantidades de iogurte, coalhada ou kefir, ricos em microorganismos que melhoram a saúde intestinal.

Suplementos

O cálcio deve ser suplementado nas dietas sem ossos. Pode ser utilizada farinha de casca de ossos ou carbonato de cálcio manipulado.
É importante colocar uma pitada de sal iodado em uma das refeições do dia.

Se os peixes forem oferecidos raramente, a necessidade de ômega 3 pode ser suprida utilizando-se cápsulas de óleo de peixe.

Sementes como linhaça, chia, gergelim e girassol podem ser adicionadas em pequenas quantidades para fornecer mais minerais.

Ervas e temperos como salsinha, alecrim, tomilho, orégano, manjericão, cúrcuma e gengibre são excelentes complementos à dieta.

Suplementos manipulados, contendo vitaminas e alguns minerais, serão indicados pelo veterinário responsável.

Alimentos proibidos para cães e gatos

Devemos lembrar que alguns alimentos são nocivos para os pets, como: chocolate, café, comidas gordurosas, macadâmia, cebola, passas, uva, carambola, fermento e xilitol.

Tipos de alimentação natural para cães e gatos

Existem basicamente três tipos de dietas: cozida, crua sem ossos e crua com ossos. A indicação do melhor tipo de dieta, sua formulação e a prescrição dos suplementos devem ser feitas por um veterinário especializado em nutrição.

A dieta cozida é a mais facilmente aceita pelos animais, por ser mais palatável. Porém, é mais trabalhosa, rende menos e requer a adição de cálcio, pois as carnes são sempre cozidas sem os ossos.

A dieta crua sem ossos é mais prática e nutritiva, mas também requer a adição de cálcio.

A dieta crua com ossos é a que mais se assemelha a alimentação dos animais na natureza e não necessita da suplementação de cálcio. Além disso, os ossos ajudam a manter os dentes limpos.

As refeições podem ser preparadas com antecedência e congeladas por até 45 dias. Dependendo do número e do tamanho dos animais, será necessário bastante espaço no freezer. Os ovos, quando cozidos, devem ser preparados no momento de servir, da mesma forma que sal, gordura, sementes e temperos, ervas frescas, probióticos, cápsula de óleo de peixe e vitaminas manipuladas.

A alimentação natural para cães e gatos exige dedicação e paciência. Muitas vezes, os animais resistem à mudança, principalmente porque as rações contêm várias substâncias adicionadas para deixá-la cheirosa e palatável.

A persistência leva ao sucesso e, neste caso, mais saúde e qualidade de vida para os nossos amigos.

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