Nico e bela os dois cachorro da Adriana no quintal de casa. Eles se alimentam de alimentação natural

Dra. Adriana Bonfioli

Quando comecei a fazer alimentação natural para os meus cães, em 2014, eu tinha uma rotina bem mais rígida do que tenho hoje. Gastava um tempão planejando as refeições, pesando e preparando os alimentos para congelar.

Alguns anos e muitas tentativas depois, cheguei a um método simples e fácil, que quero compartilhar com vocês (e espero receber dicas e ideias de volta, ok? Essa troca de experiências é riquíssima!).

Meus cães

Hoje sou tutora de dois cães de grande porte: o Nico, um dogo argentino de 45kg, e a Bela, uma golden retriever de 35kg.

Um dos cachorros da Adriana
Bela
Um dos cachorros da Adriana
Nico

Minha forma de planejar e preparar a alimentação natural dos dois é adaptada ao tamanho das refeições deles. Mesmo assim, acredito que algumas dicas e ideias podem ser bem úteis para tutores de cães menores também.

Ingredientes

Todos nós conhecemos a lista de possibilidades quando se fala nos tipos de carne para a alimentação natural do cão. Porém, no dia a dia, é difícil ter acesso a várias destas opções. Na prática, aqui em casa eu uso os seguintes ingredientes:

Ossos carnudos
  • dorso de frango;
  • pescoço de peru;
  • suã (*);
  • costela de porco (*);
  • costela de boi (*).
Carnes
  • músculo ou acém;
  • pernil ou lombo;
  • coxa de peru desossada;
  • sardinha inteira.
Vísceras musculares
  • coração de boi;
  • coração de galinha;
  • moela.
Vísceras secretoras
  • fígado de boi;
  • fígado de frango.
Legumes
  • cenoura;
  • chuchu;
  • abobrinha;
  • brócolis;
  • couve flor;
  • moranga;
  • espinafre;
  • couve.
Ervas e sementes (farelo prescrito pelo Dr. Artur Vasconcelos)
  • linhaça;
  • chia;
  • semente de girassol;
  • gergelim;
  • coco ralado sem açúcar;
  • açafrão;
  • orégano;
  • sal.
Óleos
  • azeite;
  • manteiga;
  • óleo de coco.

(*) Como meus cães são grandes, eles realmente comem essas peças. Para cães menores, elas provavelmente seriam ossos recreativos!

Quantidade de alimento

Meus cães, apesar de morarem em uma casa com um quintal enorme, não são muito ativos. Eu também não sou de passear muito com eles na rua (definitivamente um dos pilares da saúde do animal em que precisamos investir por aqui é o do movimento!).

Para cães de grande porte, inativos, é recomendado dar 1,5 a 2% do peso corporal em alimentos por dia. Para o Nico, macho e castrado, eu fico no limite superior da quantidade. Para a Bela, Golden, não castrada, mas com muita tendência ao sobrepeso, prefiro a quantidade no limite inferior.

Peso1,5%2%
Nico45kg675g900g
Bela35kg525g700g

Número de refeições

Aqui em casa eu prefiro dar duas refeições, uma pela manhã e outra à noite.

Café da manhã

De manhã, capricho mais na variedade, usando ingredientes como ovo, sardinha em lata, iogurte e kefir de forma rotativa. Também aproveito para dar as vísceras, que asso levemente.

Por que assar as vísceras? Todo mundo me pergunta isso… Bom, em primeiro lugar porque eles amam! Segundo, porque descongelar um coração de boi ou um pacote de fígado (que eu compro já congelados) resulta em várias mini porções que têm que ser congeladas novamente. Eu prefiro congelar depois de assada, pois acredito que esse “cozimento” diminui o risco de proliferação bacteriana.

Eu asso o coração picado, o fígado picado e, às vezes, até a moela, levemente. Congelo em porções suficientes para uma refeição matinal dos dois cães (150-200g cada) e uso intercalado com as outras opções do café da manhã.

Jantar

Para o jantar, eu uso os ossos carnudos, as carnes, os legumes, óleo e farelo, variando os tipos o máximo possível.

A forma de preparo desses ingredientes foi o ponto em que mais variei meus métodos, até chegar ao que faço hoje:

1- Ossos carnudos

O dorso de frango e O pescoço de peru vêm congelados em pacotes. Eu peço para serrar, no açougue, cada pacote de dorso em três partes. Descongelo uma porção de dorso para o dia e um pacote de pescoço de peru a cada dois dias.

Também peço para serrar o suã, a costela de boi e a de porco. Chegando em casa, coloco os pedaços em camadas, separadas por um plástico grosso, em tabuleiros. Congelo pelo tempo indicado para cada tipo de carne e, depois, solto os pedaços separados, ainda congelados, coloco em um saco e volto com eles para o freezer.

Assim, fico com vários pacotes de carnes diferentes, congeladas em pedaços. Todos os dias, escolho os tipos sortidos que quero descongelar, peso e pronto.

2- Carnes

As minhas carnes já vêm do açougue picadas como se fossem para fazer “carne de panela”. Eu as organizo em camadas, como faço com os ossos carnudos. Por fim, tenho os pacotes com os pedaços congelados, como expliquei acima, para escolher todos os dias.

3- Legumes

Eu pico os legumes que escolhi para a ocasião e cozinho todos juntos. Depois, preparo porções suficientes para uma refeição dos dois cães e congelo. Fica fácil então descongelar uma porção dessas todos os dias.

4- Farelo

O farelo segue a receita do Dr. Artur (veja o PDF para a receita!). Depois de moer e misturar todos os ingredientes, coloco em um vidro e uso uma colher de sopa para cada cão por dia.

5- Óleo

O azeite, o óleo de coco ou outra opção de gordura saudável deve ser sempre adicionado na hora de servir.

Suplementação

Meus cães usam um complexo vitamínico, prescrito pelo Dr. Artur, e um suplemento de ômega 3, diariamente.

Enfim…

Parece complicado? Pois eu prometo que não é! Basta um pouco de planejamento, alguns macetes, boa vontade e pronto…

Confesso que, mesmo que fosse difícil, eu hoje não abriria mão da alimentação natural para os meus cães. Aos 4 anos de idade, eles nunca ficam doentes. São cheios de vitalidade, o pelo é brilhante e cheiroso, mesmo com apenas 2 banhos por mês.

Eu queria mesmo, de verdade, ter um tutor para fazer a MINHA alimentação natural!

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