médica segurando um laço vermelho simbolizando a AIDS e o HIV

Dra. Isadora Saraiva

Trinta e três anos atrás (1987), foi inaugurada pela princesa Diana a primeira clínica do Reino Unido dedicada, exclusivamente, ao tratamento e recuperação de pessoas com AIDS. Na época, a mídia lançava o seguinte questionamento: “Como será que ela se protegeria desse encontro? Por meio de luvas, talvez?”

Bem, o desfecho dessa história é lembrado com carinho por todos os “simpatizantes” da família real britânica. Isso porque Diana, ao apertar as mãos de um dos pacientes, desmistificou um dos maiores tabus sobre essa doença: o de que ela era transmitida por meio do contato pele a pele.

Todo esse medo com relação ao HIV e seus agravantes, naquela época, era relativamente justificável. Afinal, a AIDS só foi oficialmente identificada em 1981, sendo o primeiro medicamento contra ela aprovado em 1987 (AZT). Mesmo assim, o diagnóstico dessa condição ainda era pessimista, já que os tratamentos estavam em fase inicial.

Atualmente, 36 anos após a morte Gaëtan Dugas, erroneamente conhecido como o “paciente zero” da AIDS, ainda não há cura para essa doença. Contudo, a boa notícia é de que os avanços nos tratamentos e, claro, na compreensão clínica de como essa condição progride, estão permitindo que as pessoas com HIV/AIDS vivam mais e com qualidade.

Pensando nisso, preparamos um conteúdo com tudo o que você precisa saber sobre os avanços no tratamento do HIV/AIDS, como eles funcionam e o que podemos esperar para o futuro dessa doença. Vamos lá?

Como funciona, atualmente, o tratamento para a infecção pelo HIV?

O principal tratamento para o HIV, hoje, é feito por meio de medicamentos anti-retrovirais (NRTIs, INSTIs, PIs, NNRTIs e inibidores de entrada).

Essas drogas, apesar de não curarem a infecção, suprimem o vírus e diminuem sua progressão no corpo. Para se ter ideia, em pacientes que fazem o tratamento da forma correta, o HIV é praticamente indetectável, reduzindo muito os riscos de transmissão para outras pessoas.

Vale ressaltar que, ao identificar a infecção precocemente e, claro, tratá-la da forma correta, o(a) portador(a) de HIV é capaz de viver por anos e, diga-se de passagem, muito bem.

No mais, para saber todos os detalhes sobre o HIV e a AIDS, desde as formas de transmissão até o diagnóstico, tratamento e prevenção, clique aqui.

Agora sim: quais são os avanços recentes no tratamento para o HIV/AIDS?

A cada ano, novas terapias estão ganhando cada vez mais espaço no tratamento e, por que não, na cura do HIV/AIDS. Confira, agora, alguns dos mais promissores:

1. Doses menores e mais eficientes

Atualmente, as doses de medicamentos anti-retrovirais são diárias e, na maioria das vezes, combinadas (ou seja, mais de um comprimido).

Sendo assim, uma das pesquisas mais promissoras do momento diz respeito ao desenvolvimento de uma terapia anti-HIV com efeitos mais duradouros. Em outras palavras, espera-se que os remédios para HIV/AIDS tenham dosagens semanal, mensal ou até menos frequente.

Além disso, eles podem ser de diferentes formulações, incluindo pílulas, injeções, adesivos ou implantes. E o melhor: espera-se que elas tenham menos efeitos colaterais e custem menos.

2. O poder dos anticorpos

Outro avanço importantíssimo para o tratamento do HIV/AIDS é o desenvolvimento de anticorpos amplamente neutralizantes. Afinal, o objetivo é fazer com que eles se liguem diretamente ao vírus, impedindo sua entrada nas células e aumentando sua taxa de eliminação

Além disso, eles podem desencadear uma resposta imunológica nas células infectadas com HIV, o que levaria à morte do vírus. Mais importante ainda: o anticorpo, ao se ligar a um fragmento viral chave, pode formar um complexo e iniciar uma resposta imune semelhante à de uma vacinação. Isso, futuramente, ajudará a desenvolver imunidade contra futuros encontros virais.

3. E falando em vacinas…

Embora nenhuma vacina ainda esteja disponível para prevenir a infecção pelo HIV, o desenvolvimento de doses terapêuticas que podem ser dadas a pessoas infectadas já está em andamento.

Ao estimular o sistema imunológico, essas vacinas irão preparar o corpo para obter controle sobre a infecção pelo HIV por um período prolongado.

A vacina de maior potencial é uma que desencadeia a produção de anticorpos contra a proteína 3S do HIV, que prepara as células T para reconhecer e eliminar o vírus com mais eficiência.

4. Mutação dos genes

A edição de genes é outra abordagem potencial que introduz uma mutação específica no genoma humano, que os torna resistentes à infecção pelo HIV. Cerca de 1% da população mundial que é naturalmente imune ao HIV possui essa mutação.

Essa mutação causa o desenvolvimento de uma proteína de superfície da célula imune (CCR5) que é estruturalmente diferente da proteína do tipo selvagem. O vírus não pode se ligar à proteína alterada; como resultado, torna-se impossível para o vírus entrar na célula imunológica e infectá-la.

No futuro, essas mutações podem ser introduzidas de uma maneira muito mais fácil por meio da ferramenta de edição de genes CRISPR-Cas9.

E, por fim… há perspectiva para a cura definitiva do HIV/AIDS?

Várias tentativas foram feitas para desenvolver uma cura permanente do HIV. Destas, a mais promissora é o desenvolvimento de medicamentos que possam inibir a replicação viral por meio da ligação a uma sequência específica de RNA do vírus. O principal objetivo desta abordagem é atuar sobre o reservatório de HIV presente dentro das células e não atingido pelos medicamentos.

Progressos extraordinários já foram feitos no que se diz respeito ao tratamento do HIV/AIDS. Porém, é claro que ainda existem muitas lacunas a serem preenchidas. Estaremos acompanhando todas as evoluções e, claro, trazendo todas as novidades para vocês!

Cuidem-se, e até a próxima!

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