Mulher negra negra alisando a pele do rosto na frente do espelho

Dr. Fábio Gontijo

Ah, as espinhas. Quando pensamos nelas, normalmente nos lembramos de nossa adolescência e todos os problemas de autoestima que elas provocavam. Entretanto, engana-se quem pensa que, ao envelhecermos, nos livramos delas.

Como médico dermatologista, posso afirmar que a acne na mulher adulta é um dos casos mais recorrentes em meu consultório. Para se ter ideia, uma pesquisa realizada na França demonstrou que esse incômodo afeta cerca de 40% da população feminina com mais de 25 anos. Em outras palavras, não precisa se preocupar: esse é um problema mais comum do que se imagina!

Tendo isso em vista, preparamos esse post para ajudá-la(o) a entender melhor sobre o assunto. A partir de agora, você descobrirá o que é acne, quais são seus sinais em mulheres adultas e suas possíveis causas e tratamentos. Confira!

Acne na mulher adulta: o que é?

Tanto em adultas quanto em adolescentes, a acne continua sendo um processo inflamatório da pele. Nela, os folículos pilosos da face (responsáveis pela produção de pêlos) se entopem devido ao excesso de sebo produzido pelas glândulas sebáceas e à grande quantidade de células mortas que se acumulam nos poros.

A partir daí, uma bactéria chamada Propionibacterium acnes, presente na pele, consegue penetrar nos folículos e se proliferar, causando inflamação e, consequentemente, o surgimento de cravos, espinhas e manchas bem avermelhadas, doloridas e de tamanho variado.

Apesar de mais comum na adolescência, essa condição pode perdurar e acontecer com adultos, especialmente mulheres com mais de 25 anos. Neste caso, ela acomete principalmente a zona U, parte inferior da região do pescoço, queixo e mandíbula.

Causas

É comum que mulheres com um quadro de acne persistente ao longo da adolescência continuem a lidar com o problema quando adultas. Nesse caso específico, a inflamação se desenvolve gradualmente.

Além disso, existem fatores como:

  • Oleosidade excessiva;
  • obstrução mecânica dos folículos pilosos por óleo ou células mortas;
  • infecção bacteriana
  • alterações hormonais (como menstruação, gravidez e o excesso de atividade dos hormônios androgênicos – que estimulam as glândulas sebáceas a produzir mais óleo -, por exemplo);
  • histórico familiar;
  • tabagismo;
  • dieta (consumo excessivo de alimentos gordurosos, como carne vermelha, laticínios, frituras, e de alto índice glicêmico, como açúcar e farinha branca);
  • estresse;
  • uso de cosméticos inadequados (fique sempre atento(a) às composições dos produtos, optando por versões livres de óleo, não comedogênicas e matificantes que não obstruem os poros e melhoram o aspecto da pele);
  • uso de alguns medicamentos como corticoides, anticonvulsivos, lítio, esteróides anabolizantes, barbitúricos etc);
  • doenças como diabetes, obesidade, síndrome metabólica e síndrome do ovário policístico;
  • exposição solar excessiva (contudo, quando em curtos períodos, ela é de grande ajuda para a acne na mulher adulta, pois o sol atua como um bactericida natural na pele, promovendo um efeito secativo nas espinhas;
  • uso de objetos que causam fricção ou pressão na pele como golas apertadas e mochilas, por exemplo.

Sinais e sintomas

Considera-se acne na mulher adulta a incidência dos seguintes fatores em mulheres com mais de 25 anos:

  • cravos brancos: formados pelo folículo piloso cheio de secreção sebácea e células mortas, sem inflamação;
  • cravos pretos: quando o poro está aberto, ocorre acúmulo de melanina e oxidação da substância oleosa e aparecem os cravos pretos;
  • espinhas: ocorre quando o folículo é infectado pela P. acnes e se inicia o processo inflamatório;
  • pápulas: as “espinhas internas” formam pápulas, pequenas lesões avermelhadas e sensíveis ao toque;
  • pústulas: as espinhas inflamadas são chamadas de pústulas, nódulos contendo pus e com base avermelhada;
  • nódulos: são maiores, sólidos, mais profundos e dolorosos;
  • cistos: lesões profundas contendo pus em seu interior.

Tratamentos

O tratamento da acne na mulher adulta visa reduzir a oleosidade da pele, tratar a infecção e reduzir a inflamação. Os medicamentos podem ser aplicados na pele ou utilizados via oral, e a prescrição deste varia de acordo com a idade, gravidade da doença e condições de saúde do paciente.

Podem ser utilizados, também, medicamentos de uso:

Tópico – aplicados diretamente na pele como sabonetes, hidratantes, retinóides, antibióticos associados ao peróxido de benzoíla*, ácido salicílico e ácido azelaico, Dapsona;
(*) Antibióticos tópicos isolados não são recomendados pelo risco de resistência bacteriana

Oral – antibióticos, anticoncepcionais orais combinados, agentes antiandrogênicos, Isotretinoína (apesar de poderoso, tem risco alto de efeitos colaterais como pele seca, coceira, vermelhidão, boca e lábios secos, olhos secos, dores no corpo, sonolência ou irritabilidade. Pode causar sérios defeitos no feto, se utilizado por uma mulher grávida).

Dicas complementares:

  • Procedimentos como terapias a laser, limpeza de pele, peelings químicos e terapias de luz são excelentes alternativas para complementar os cuidados por suas ações anti-inflamatórias;
  • Faça uma reeducação alimentar de modo a manter uma dieta balanceada, rica em fibras, vitaminas, proteínas e minerais;
  • Tome bastante água;
  • Lave o rosto duas vezes ao dia com um sabonete adequado, indicado pelo dermatologista;
  • Evite cremes e máscaras que causem irritação da pele;
  • Proteja sua pele do sol;
  • Evite fricção constante da pele (mochila, capacete, gola apertada);
  • Evite espremer as espinhas;
  • Faça exercícios e tome banho logo após as atividades.

Por fim…

A acne na mulher adulta pode ter várias causas e cada caso é único. Por isso, é importante consultar um médico dermatologista capacitado para uma avaliação personalizada e tratamento eficaz.

Vale ressaltar que esse post tem a finalidade de trazer informações e responder dúvidas frequentes sobre a incidência da acne em mulheres adultas, mas não substitui uma consulta médica, combinado?

Espero que o conteúdo tenha sido útil. Qualquer dúvida a respeito, deixe aqui nos comentários! Aproveite e me conte se você lida, ou já lidou, com este problema, quais sinais percebeu, se já descobriu a causa e/ou já fez algum tratamento!

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